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Futurecom 2008
Por Ricardo Pessoa
A 10ª Futurecom foi realizada pela primeira vez em São Paulo. Decisão sábia: mudar a feira de Florianópolis para a capital paulista certamente contribuiu para que o evento retomasse a dimensão dos tempos pós-privatização.
O que se viu na Futurecom 2008?
Primeiro o contraste. Lembra do início de outubro? Crise econômica estampando todos os jornais, comentaristas econômicos em regime extra de trabalho, pânico por todo lado (pensando bem, não mudou muita coisa nos últimos 60 dias). No meio daquela confusão, o sucesso da feira e as manifestações de confiança exibidas pelos presidentes das principais operadoras do Brasil se fundamentavam na mesma premissa, a penetração dos serviços na classe CDE.
Em telecomunicações, o mercado interno é tudo; e a inclusão social evidente nos últimos anos aumentou este mercado diretamente. Ou seja, se não há céu de brigadeiro, também não se prevê tempestade. Se verdade ou não, vai depender da duração e extensão da crise. E este otimismo tem mais razão de ser para uns que para outros. BlackBerrys, iPhones, Palmtops, uma profusão de smartphones de todos os tipos e modelos inundaram a feira. O otimismo das operadoras celulares, mesmo diante de uma crise de proporções desconhecidas, é conseqüência do apelo da mobilidade, da disseminação do acesso sem fio.
Todos correndo atrás do pote de ouro, a killer application que todos vão querer ter em seus aparelhinhos. Sejam coisas simples como o Tweeter (aplicação de blog curto, atualizável via SMS), o novo fenômeno da net móvel. Ou seja a eterna aposta na TV no celular. O fato é que hoje os celulares já estão nas mãos dos consumidores, e a rede já está aí. Ou seja, as mesas estão postas e o restaurante está aberto. Falta o menu com a delícia que todos querem.
Na Futurecom 2005, uma das principais apostas era a disseminação inexorável da tecnologia sem fio, “wireless”. E sua conseqüência indireta, a perda de valor das operadoras de telecomunicações fixas. Estas tinham historicamente seu valor associado ao imenso patrimônio representado por suas redes, que constituíam um verdadeiro monopólio do acesso ao cliente.
Três anos depois, as redes 3G mudaram o mercado de acesso no Brasil. Hoje já é mais fácil conectar em 3G nas principais cidades do país do que ter uma conexão fixa. Os preços e condições variam muito, mas as operadoras fixas estão vendo seu mercado disputado pelas operadoras móveis. É cada vez mais comum ver os rabichos pendurados em laptops, modens 3G que podem ser comprados por impulso, fáceis de instalar e já prontos para usar. Com isso, mais pressão sobre as operações de telefonia fixa, que já vêem sua principal fonte de receita (o tráfego de voz) decrescer ano e vêem seu domínio no mercado de dados disputado pelas celulares.
Espremidas pela nova concorrência e pela diminuição gradativa de suas receitas, as operadoras fixas procuram novos nichos. Seja fornecer serviços de controle inteligente de prédios, seja entrar nos escritórios dos clientes para oferecer PABX inteligentes, as operadoras fixas querem se aproximar de seus clientes, estabelecer relacionamentos com eles que lhes permita continuar competindo.
A lógica diria que isso resultaria em serviços melhores e mais baratos. Sim, desde que a concentração do mercado seja adequadamente regulada. Já são raríssimos os casos de operadoras fixas sem uma coligada móvel (como a curitibana GVT), e as fusões anunciadas tendem a tornar esta concentração cada vez maior. E persiste uma dúvida. A demanda por banda cresce exponencialmente, com a popularização do vídeo na internet, e sua onipresença nos celulares. Como garantir que os backbones, estas vias expressas que conectam continentes, continuem recebendo os investimentos necessários para suportar o crescimento?
Hoje, a maior parte das receitas geradas na internet fica com os provedores de conteúdo. Quem conecta não participa significativamente dessa receita. Muita gente aposta que as operadoras vão tentar cada vez mais participar destas receitas, se posicionar como provedoras de conteúdo (seja lá qual for) e não só fornecedoras de canos.
Seja transmitindo TV, seja colocando musica na sua loja, as teles querem entrar muito mais nas nossas vidas. •
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